Benedito e Arthur Lira estão na mira da Operação Lava Jato

A Justiça Federal no Paraná bloqueou bens no valor de R$ 10,4 milhões do deputado Arthur Lira e de seu pai, o senador Benedito Lira, ambos do PP de Alagoas. A medida foi tomada pelo juiz Flávio Antônio da Cruz, da 11.ª Vara Federal de Curitiba, em dezembro de 2016, a pedido da Advocacia-Geral da União no âmbito de uma ação de improbidade administrativa aberta a partir de informações sobre suposto envolvimento dos parlamentares em desvio de verbas da Petrobrás para custear as campanhas eleitorais de pai e filho em 2010.

A AGU atribuiu ‘condutas ímprobas praticadas por Benedito de Lira, enquanto atuava como deputado federal e por seu filho, Arthur Cesar Pereira Lira no exercício do mandato de deputado estadual, por conta de vantagens indevidas auferidas junto a Alberto Youssef (doleiro da Lava Jato), Ricardo Pessoa (empreiteiro delator) e Constran S/A’.

A AGU aponta quatro repasses de propinas somando R$ 2,6 milhões para pai e filho bancarem despesas de campanha eleitoral em 2010. O primeiro pagamento teria sido de R$ 400 mil da empresa Constran S.A, a mando de Ricardo Pessoa, por meio de doações oficiais. Um outro de R$ 200 mil ’em propina’ é apontado pela AGU – o valor teria sido entregue por Youssef para a empresa Câmara e Vasconcelos – Locação e Terraplanagem ‘visando adimplir mútuo feito pelos candidatos para saldar despesas da campanha eleitoral de 2010′.

A ação destaca que os Lira teriam recebido R$ 1 milhão ’em dinheiro em espécie, junto a Alberto Youssef para custear a campanha eleitoral de 2010′. Por fim, a ação aponta mais R$ 1 milhão, também ’em dinheiro em espécie’, junto ao empreiteiro Ricardo Pessoa e também para custear a campanha eleitoral de 2010.

A AGU sustenta que pai e filho teriam ‘causado danos de caráter nacional, afetando bens jurídicos dispersos entre vários entes do território nacional’. Por essa linha de argumentação, a Advocacia considera que a ação poderia ser proposta ’em qualquer capital de Estado ou do Distrito Federal’.

A AGU ressaltou que no âmbito das investigações criminais ficou constatada a ‘estreita relação’ entre o senador, o filho deputado, o ex-diretor da Petrobrás Paullo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef.

“Os demandados teriam atuado em conjunto na obtenção de recursos para as campanhas eleitorais, utilizando-se de doações oficiais, pagamento de despesas de campanha por meio de empresas de fachada e também com o recebimento de valores em espécie”, pontua a Advocacia.

Em meados de 2010, integrantes do PP teriam procurado junto a Youssef angariar doações oficiais para a campanha de Benedito de Lira, ocasião em que teria sido indicado, pelo doleiro, o empresário Ricardo Pessoa, presidente da UTC Engenharia.

“Dessa negociação teriam resultado duas doações oficiais de R$ 200 mil, cada uma, para a campanha de Benedito de Lira ao Senado, por meio da pessoa jurídica Constran S/A. Posteriormente, os valores teriam sido tranferidos para Arthur de Lira”, registrou o juiz, com base no pedido da AGU.

Em 2010, teria sido requerido por Arthur Lira a Youssef o pagamento de outras despesas da sua campanha para deputado federal e de seu pai para senador, ‘tendo o doleiro se utilizado de recursos recebidos das atividades criminosas na Petrobrás, pagando mútuo contraído por Arthur Lira com Eduardo Freire Bezerra Leite, por meio de transferência de duzentos mil reais da empresa de fachada MO Consultoria Empresarial para a empresa Câmara & Vasconcelos’.

Também com o objetivo de pagar despesas de campanha política, Youssef teria entregue a Benedito o valor total de R$ 1 milhão, em espécie, além de mais R$ 1 milhão ao empreiteiro Ricardo Ribeiro Pessoa, a pedido de Arthur Lira, ‘para garantir a presença do grupo UTC em licitações fraudadas junto à Petrobrás’.

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