Gerente confessa que pagou dinheiro roubado a Otávio Lessa

Um gerente de banco disse ter repassado parte dos R$ 100 milhões roubados do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas (TC/AL) para o ex-presidente Otávio Lessa e para outros conselheiros desta Corte. O depoimento colhido pela Polícia Federal (PF) foi um dos argumentos para a deflagração de uma nova fase da Operação Rodoleiro, com o cumprimento de mandado de busca e apreensão nessa terça-feira (28) na sede TC de Alagoas.
De acordo com Sérgio Timóteo Gomes de Barros, gerente do posto do Bradesco que funcionava dentro do TC, “Otávio Lessa e outros conselheiros receberam das mãos do próprio gerente, partes dos recursos desviados daquele tribunal”. É o que diz o mandado judicial expedido pela 2ª Vara da Justiça Federal em Alagoas, a pedido do Ministério Público Federal (MPF).
A partir desse depoimento, foi deferida pela 2ª Vara da Justiça Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a quebra de sigilos fiscal e bancário de investigados. E as novas buscas por provas é apenas uma das medidas negadas e não apreciadas anteriormente, que foram deferidas graças ao depoimento e à mudança de foro de alguns dos alvos da ação penal.
Otávio Lessa é o terceiro ex-presidente do TC de Alagoas envolvido na investigação do esquema milionário. O MP revelou no dia 15 deste mês de março a participação dos ex-presidentes do TC de Alagoas Luiz Eustáquio Tolêdo e Isnaldo Bulhões no esquema. E fez um aditamento à ação civil pública por atos de improbidade administrativa que havia sido protocolada em 2013 contra oito pessoas, dentre servidores do TC e funcionários do banco.
Rodoleiro é o nome popular do carrapato-estrela (Amblyomma cajennense) e dá nome à operação por ser vilão de cavalos de raça iguais aos comprados com dinheiro do TC de Alagoas por alguns dos alvos da investigação. Isnaldo Bulhões é alvo de pedido de afastamento do cargo de prefeito de Santana do Ipanema, para o qual foi eleito em 2016, pelo PMDB, com o apoio do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e do governador Renan Filho (PMDB).
O MP de Alagoas também pediu a indisponibilidade dos bens de todos os acusados e o ressarcimento de R$ 99,3 milhões pelos danos causados aos cofres públicos. Isnaldo Bulhões é irmão do ex-governador de Alagoas Geraldo Bulhões e tem um filho homônimo deputado estadual. Otávio Lessa é irmão do ex-governador e deputado federal Ronaldo Lessa (PDT-AL). Ambos conquistaram o cargo vitalício graças à presença de seus irmãos no Governo de Alagoas. Manobra que o governador Renan Filho tenta fazer com o tio, Olavo Calheiros, deputado estadual pelo PMDB.
Com Diário do Poder
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